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Você não pode votar para sair deste problema

HÁ UM PROBLEMA na maneira como pensamos sobre mudança política hoje. Em algum momento, começamos a acreditar que a política é a alavanca principal para consertar um mundo quebrado. Que, se pudéssemos apenas votar nas pessoas certas, aprovar as leis certas e revogar as erradas, a sociedade de alguma forma voltaria ao seu lugar. Mas não é assim que a verdadeira mudança acontece. A política não lidera a cultura. Ela a segue. E a cultura é moldada por algo ainda mais profundo — a fé em Deus, ou a ausência dela. Sempre foi assim, e sempre será.

Investimos tempo, energia e esperança em políticos, partidos políticos e decisões judiciais, pensando que eles, de alguma forma, reverterão a queda moral do nosso país. Mas a política não é a fonte. É o reflexo. É o espelho que revela quem somos como povo. Os políticos não são gigantes morais. São leitores da opinião pública. Observam as pesquisas, estudam as tendências, mantêm um dedo no vento e outro na estratégia de reeleição. Raramente lideram com princípios inabaláveis. Lideram com permissão.

Fazem o que acham que podem fazer e o que esperam fazer para permanecer minimamente populares. E isso é ditado pelo povo. Se o público não tem apetite pela verdade, não espere que os políticos a ofereçam.

Se a política está a jusante da cultura, e a cultura está a jusante da fé, então a única maneira de realmente mudar a direção de uma sociedade é ir até a fonte. Isso significa a igreja. Isso significa o púlpito. Isso significa você e eu.

O estado da nossa cultura é resultado direto da fraqueza em nossas comunidades de fé. É hora de parar de fingir o contrário. Líderes cristãos fracos têm ocupado púlpitos por todo o país, mais preocupados em serem populares do que em estarem certos. Mais receosos de ofender políticos do que de ofender a Deus, trocaram a ortodoxia pela aparência. Igrejas foram construídas que se assemelham a clubes sociais e seminários de autoajuda, em vez de serem santuários onde a verdade é pregada sem desculpas e o pecado é nomeado sem hesitação. E as pessoas sentadas sob esse tipo de liderança tornaram-se igualmente fracas, confusas, comprometidas e incapazes de resistir à pressão cultural que pesa sobre elas.

Até que entendamos que a fé está a montante da cultura, e que a cultura está a montante da política, continuaremos a ter um governo que reflete o nosso denominador comum mais baixo.

O que acontece quando você tem uma geração de cristãos fracos? Você forma uma geração de líderes empresariais fracos, educadores fracos, influenciadores fracos e líderes políticos fracos. Pessoas sem convicção, que têm pavor de confronto, que simplesmente se acomodam para evitar conflito. A decadência que vemos em nossos sistemas políticos não começou com as urnas. Começou com Bíblias acumulando poeira e púlpitos se amolecendo.

Olhe ao redor. O mundo está perdido — mas isso não é surpresa. A tragédia maior é que o “igrejanismo” se calou diante dessa perdição. Abdicamos da nossa responsabilidade de ser a consciência da cultura. Permitimos que a verdade fosse substituída pela tolerância. A confusão cresce no mundo enquanto a clareza se apaga na igreja. E ainda assim continuamos perguntando por que as coisas não mudam. Não podemos esperar que a cultura mantenha padrões que a igreja já não ensina. Não podemos esperar que o mundo tenha fome de justiça quando temos nos ocupado em diluí- la para torná-la mais aceitável. E, definitivamente, não podemos esperar que os políticos lutem por valores que nós mesmos deixamos de viver. Temos uma crise política porque temos uma crise de fé — e não o contrário.

Se a igreja se levantasse para cumprir seu chamado e parasse de tentar se misturar com o mundo, a cultura perceberia e começaria a mudar. Quando a cultura exigir algo melhor, a política naturalmente seguirá. Essa é a cadeia de influência: a fé molda o povo, o povo molda a cultura, e a cultura determina os limites da política. Mas tudo começa com uma igreja que tenha coragem, com líderes cristãos mais preocupados em permanecer fiéis à verdade do que em manter sua plataforma. Começa com cristãos que parem de se desculpar por crer na Bíblia e passem a vivê-la com ousadia, tornando-se as mãos e os pés de Jesus.

A decadência que vemos em nossos sistemas políticos não começou com as urnas. Começou com Bíblias acumulando poeira e púlpitos se tornando fracos Não precisamos de mais pastores que sigam as modas do mundo, mas de homens e mulheres de Deus que temam mais a Deus do que às manchetes, hashtags ou opiniões humanas. Precisamos parar de terceirizar a batalha pela justiça a governos e instituições políticas — essa luta sempre foi nossa. O avivamento de que necessitamos não virá de um partido ou de um movimento político, mas surgirá quando a igreja voltar a ser igreja — quando a verdade for colocada acima da tendência, a santidade acima da popularidade, e o temor a Deus acima do medo dos homens.

Primeiro a fé. Depois a cultura. Depois a política. Essa é a ordem, e essa é a verdade. Até que entendamos isso corretamente, nada mais estará no lugar.

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