HÁ MOMENTOS NA VIDA em que as palavras falham em capturar a profundidade de uma experiência; quando o peso de uma verdade é sentido mais profundamente do que pode ser articulado. Tal é o poder em morrer – o segredo para uma vida produtiva e que glorifica a Deus que a maioria dos cristãos professos hoje conhece muito pouco.
A morte de Jesus Cristo não foi um mero evento histórico. Foi um ato de amor divino. Um amor tão além da compreensão que a linguagem humana não encontra expressão para ele. Através de Sua morte, temos esperança, perdão e uma nova vida – tanto neste mundo quanto no mundo vindouro.
Sua morte não foi uma resignação passiva, mas uma obediência ativa. Mesmo em Getsêmani, enquanto orava, "Pai, se queres, afasta de mim este cálice," as últimas palavras de Sua oração foram: "Contudo, não seja como eu quero, mas como tu queres." Isso não foi fraqueza – foi a força suprema.
Os líderes religiosos de Sua época temiam o poder que poderia seguir Sua morte, tanto que colocaram soldados em Seu túmulo. Sim, soldados vigiando um corpo morto! Eles pensavam que uma pedra e uma espada poderiam suprimir o Divino. Mas nenhum poder humano – nenhum império, nenhuma arma, nenhum esquema – poderia impedir a ressurreição. Quando o anjo desceu e a terra tremeu, a própria morte foi destruída.
Deus não apenas conquistou a morte – Ele a consumiu: "Ele devorará a morte para sempre." Isaías 25:8. A morte de Cristo tornou-se o início de uma era nova e gloriosa. Pelo poder da ressurreição, nós, que estávamos mortos em transgressões e pecados, somos ressuscitados pela obra de salvação de Deus para sentar com Ele nos lugares celestiais.
Deixe-me ser claro, a salvação, a igreja gloriosa e a verdadeira unidade seriam impossíveis sem Jesus entregar Sua vida.
O próprio pensamento da morte física mudou, pois ela não carrega mais a mesma ameaça – aquele inimigo temeroso que põe fim a tudo que é bom. Embora ligada à tristeza e perda terrenas, a morte torna-se o degrau para uma glória maior – uma eternidade com Deus. Diz-se que todos querem ir para o céu, mas nem todos estão dispostos a morrer para chegar lá.
Para o cristão, a morte é uma transição, levando à maravilha de um corpo transfigurado; um que é imortal e capaz de desfrutar glórias que não podemos experimentar aqui embaixo. Todas as dificuldades, batalhas e limitações da humanidade desaparecerão para sempre.
É um princípio fundamental no cristianismo que a vida surge da entrega, que a força emerge da fragilidade, que a vitória nasce do que parece ser derrota, e que morrer para nós mesmos é o segredo para uma vida de poder.
Também estabelece um padrão para nós. Por amor, devemos morrer também. Devemos seguir o caminho de Cristo e chegar ao fim de nós mesmos – da nossa própria vontade e caminho. Em Cristo, temos o privilégio de experimentar uma vida de plenitude de alegria, determinação, ousadia e liberdade que nos espera do outro lado. Morrer para nós mesmos é o segredo.
Em João 12, Jesus fala uma verdade impopular: "Se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto." Este é o princípio divino tecido na própria criação. A vida vem pela morte. Uma lagarta não pode se tornar borboleta sem a dissolução de seu estado anterior. Uma semente não pode se multiplicar sem ser enterrada.
Mas com que frequência resistimos a essa lei? Pregamos crescimento, coragem e frutificação – mas evitamos o pré-requisito – a morte para si mesmo. Queremos avivamento sem entrega, poder sem fragilidade, colheita sem plantio, mas uma sala cheia de grãos de trigo, por melhor e maravilhoso que seja o grão, nunca se tornará uma colheita a menos que cada um caia na terra e morra.
Essa morte não é metafórica. É uma crise – um momento de abandono total onde entregamos o controle. Como Paulo, devemos chegar ao ponto de dizer: "Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim" (Gl 2:20). Isso não é mera autoaperfeiçoamento, é auto-substituição.
Muitas vezes, nos aproximamos de Deus com condições: "Eu te servirei, mas nos meus termos. Eu te seguirei, mas dentro da minha zona de conforto." Contudo, a verdadeira entrega é entregar as chaves – não com uma agenda oculta, mas com confiança radical. É o fim dos nossos planos, da nossa reputação, dos nossos medos.
Considere os discípulos antes do Pentecostes. Eles estavam escondidos, paralisados pelo medo. Mas depois do cenáculo – depois que o fogo caiu – tornaram-se imparáveis. Por quê? Porque eles morreram para si mesmos e Deus assumiu o controle. O medo do ridículo, da perseguição, até do martírio não tinha mais poder sobre eles. Cristo agora vivia através deles.
Esta é a ousadia que buscamos: não gerada internamente, mas nascida através de uma entrega total a Deus. Quando deixamos de nos apegar às nossas vidas, descobrimos uma vida muito maior.
O trabalho que esses irmãos fizeram só pôde ser realizado porque se uniram em torno da liderança daqueles claramente chamados por Deus para liderar a igreja. Todo motivo egoísta para seguir seus próprios caminhos foi arrancado de seus corações. Eles entenderam seu lugar no tempo, sua responsabilidade. Foram ensinados pelo exemplo de Jesus morrendo por eles (e pela exortação de Jesus para morrerem uns pelos outros) e estavam determinados a entregar suas vidas por essa alta vocação.
Romanos 12:1 faz um convite surpreendente: "Rogo-vos, pois, irmãos, pela misericórdia de Deus, que apresenteis os vossos corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus." Assim como os romanos foram exortados pelo apóstolo Paulo a apresentar seus corpos, devemos nos apresentar como sacrifício vivo a Deus em nosso tempo.
Este é o caminho para o poder da ressurreição. Não apenas esforço, não autoajuda, mas entrega. Não segurar com mais força, mas deixar ir, ou então cada um será potencialmente seu maior inimigo. Precisamos das mãos daqueles que Deus designou para nos ensinar a morrer.
A grande obra do nosso tempo? Só será feita por este princípio bíblico. Cada um fazendo o que parece certo aos seus próprios olhos nunca funcionou.
Se você sente o peso desta verdade, não se afaste. A morte do eu não é o fim – é um belo começo de algo poderoso. Como Jesus prometeu, "Quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; e quem perder a sua vida por minha causa, achá-la-á." Mateus 16:25.
Que tenhamos a coragem de cair na terra e morrer – e descobrir, finalmente, a vida que é verdadeiramente uma vida mais abundante. O mundo está esperando por isso!


