Da Terra ao CéuPor Kara Braun | 28 de dezembro de 2025 | Tópicos: Salvação Jacó havia se metido em uma grande confusão. Ele sentia que seu irmão estava prestes a reivindicar uma bênção que, por direito, lhe pertencia; por isso, colocou-se em seu caminho. Mentiu e enganou Esaú, mas não considerou isso um engano, pois, afinal, a bênção lhe pertencia de qualquer modo. Ainda assim, deixou Esaú irado, e agora ele o perseguia. Queria a própria vida de Jacó, e fugir de sua terra natal era a única opção.
Deixando pai e mãe, banido dos confortos do lar, Jacó tornou-se um fugitivo, um errante. Solitário, de coração aflito e enfrentando os perigos do deserto, foi obrigado a encontrar um lugar para dormir sobre o chão frio e duro. Achando uma pedra para servir-lhe de travesseiro, Jacó caiu em um sono inquieto. Foi ali, em meio ao tumulto de seus pensamentos atormentados e irados, que o sonho o encontrou. Jacó sonhou e viu uma escada que ia da terra ao céu. A escada, ao que parecia, começava exatamente onde Jacó estava deitado; mas estendia-se para longe, para longe, subindo além do reino de seus medos, de seus fracassos e de suas decepções, até o próprio trono de Deus. No topo da escada estava Jeová, prometendo estar com Jacó, guardá-lo, abençoá-lo e fazê-lo prosperar em todas as suas peregrinações. E, entre o céu e a terra, subindo pela escada e descendo novamente, estavam anjos — ministros de misericórdia do trono para Jacó. Era um sonho, e ainda assim não era apenas um sonho. Ao despertar, Jacó sentiu-se tão seguro da verdade dessa estranha visão que parecia receber uma força vivificadora percorrendo todo o seu ser. Já não estava sozinho! Já não era um andarilho sem rumo em uma terra estranha, cujas pessoas pouco o conheciam ou se importavam com ele. Seus olhos haviam sido abertos para o Guia invisível de seu caminho. Ele era amado. Era guardado. Era acompanhado por uma companhia de anjos. Eles podiam subir ao céu e abrir a porta para Jacó; podiam voltar a Jacó trazendo a misericórdia do céu justamente quando ele mais precisava dela. Jacó havia encontrado uma porta de saída de seu desânimo, de sua vergonha, e uma entrada para as regiões celestiais. “Temeroso”, diz a Escritura, “disse… Este não é outro senão a casa de Deus, e esta é a porta dos céus.” (Gênesis 28:17). Tomado pela poderosa presença do amor de Deus, Jacó ergueu sua coluna e, derramando óleo sobre ela, fez um voto de tomar Deus por seu Deus e de devolver a Deus o dízimo de tudo com que Ele o fizesse prosperar.
Alguns poderiam chamar Jacó de visionário, mas não há um de nós que não necessite de uma escada que leve ao céu. Cercados como estamos por forças que nem sempre compreendemos, e feitos alvo de inimigos que não podemos ver, estamos praticamente arruinados — no corpo, na mente e na alma — se não houver para nós algum meio de escape, alguma porta de entrada para o céu, algum portal por onde a misericórdia possa descer. Precisamos de anjos — anjos em nossa própria forma — que conheçam o caminho para subir a escada e nos representar diante do trono de Deus, e que saibam descer novamente trazendo em suas mãos a nossa libertação.
Ao conversar com Natanael a respeito das coisas que ele veria na dispensação do evangelho, Jesus fez-lhe uma bela promessa: “E ele lhe disse: Na verdade, na verdade eu vos digo: De agora em diante vereis o céu aberto, e os anjos de Deus subindo e descendo em direção ao Filho do homem” (João 1:51).
O que somos levados a notar nessa promessa é que esses anjos, assim como os anjos que Jacó viu em seu sonho, não começaram descendo do céu, mas subindo da terra. Eles precisavam subir da terra porque habitavam na terra, entre o povo da terra. Que seres humanos podem exercer o ofício de anjos (mensageiros celestiais) torna-se ainda mais evidente por pelo menos duas referências no Novo Testamento (veja Apocalipse 1:20; Gálatas 4:14), nas quais essa palavra é usada para descrever o ministério de Deus na função de transmitir-nos mensagens do céu.
Nós, quando éramos pecadores manchados e miseráveis, precisávamos de um mediador que transpusesse o abismo entre o céu e a terra. O próprio Jesus, em amor insondável e gratuito, desceu do céu e, pelos méritos do seu próprio sangue, venceu o abismo que separava o homem de Deus. Ele se tornou uma escada, e, sobre a força de seus méritos, sobem anjos de natureza mortal que se uniram a Ele em seu ministério de misericórdia. Eles são a encarnação em carne e sangue da graça à qual essa escada dá acesso. Levam mensagens do trono — mensagens de misericórdia, de consolo e de repreensão.
Intercedem pelos homens, representando nossa causa diante de Deus; e intercedem por Deus, representando para nós a sua bondade. São um verdadeiro ministério ligado a Deus e investido de autoridade divina. Formam um elo da terra ao céu, e, se podemos tocá-los, eles podem ajudar-nos a tocar em Deus.


