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A Tempestade que se aproxima contra o Cristianismo

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PELO MUNDO, um padrão muitas vezes silencioso, mas inconfundível, vem se desenhando: a hostilidade contra o cristianismo está crescendo e, em muitas regiões, já é cada vez menos silenciosa. A perseguição raramente surge de forma repentina e completa. Frequentemente, começa com desprezo cultural, depois com pressão legal, depois com humilhação pública e, eventualmente, com repressão aberta.

Na Nigéria, crentes são massacrados por grupos extremistas enquanto o mundo, em grande parte, desvia o olhar. Na China, pastores desaparecem em detenções enquanto igrejas subterrâneas continuam a se reunir em locais escondidos. Na Índia, multidões queimam prédios cristãos impunemente. Comunidades cristãs antigas no Oriente Médio estão encolhendo sob uma pressão incessante, especialmente após a intervenção militar ocidental. País após país revela o mesmo espírito, apenas com máscaras diferentes: silenciar o evangelho e empurrar o cristianismo para as margens da sociedade.

E embora muitos no Ocidente presumam que tal hostilidade pertença apenas a nações estrangeiras, o Canadá já apresenta sinais iniciais. Convicções cristãs estão cada vez mais sendo vistas como perigosas, e pastores são investigados por ensinar aquilo que a Escritura declara claramente. Pais cristãos são tratados com suspeita ao educarem seus filhos de acordo com sua fé. E a onda de incêndios em igrejas desde 2021 — quase cem — deve preocupar todo crente. Queimar casas de culto raramente é apenas vandalismo; é um ataque simbólico à própria fé.

Trata-se de algo que vai além de uma mudança cultural. É espiritual, ideológica e histórica.

As Escrituras advertem que haverá épocas em que a verdade será desprezada, a oposição se intensificará e o povo de Deus precisará permanecer firme. Pelo mundo todo, estamos testemunhando o surgimento de uma dessas épocas. E o Canadá não está isento apenas porque desejamos que assim seja.

A perseguição sempre revelou a força e a pureza do povo de Deus. A igreja primitiva cresceu sob pressão porque esperava sofrer e abraçava a coragem. A igreja perseguida hoje prospera em lugares onde reunir-se é perigoso, porque os crentes sabem que o discipulado não pode ser superficial.

Enquanto isso, no Ocidente, há muito assumimos que o conforto é normal e a oposição é anormal — e essa mentalidade precisa mudar.

O governo do Canadá apresentou o Projeto de Lei C-9 para análise e futura votação, com a possibilidade de se tornar lei. Isso não é um ajuste legal trivial; é uma porta aberta ao controle estatal sobre convicções cristãs. Ao remover a isenção religiosa de longa data das leis canadenses de discurso de ódio, concede ao governo e aos tribunais o poder de reinterpretar a própria Escritura como prejudicial, odiosa ou criminosa.

No momento em que o ensino bíblico pode ser considerado ilegal porque alguém alega sofrimento emocional, o evangelho passa a estar sujeito à aprovação política. Pastores poderiam ser acusados por pregar, crentes por compartilhar versículos, pais por ensinar seus filhos. Isso não é imaginário — é exatamente assim que a perseguição gradual começou em toda sociedade que buscou silenciar a igreja por meio da legislação.

O Projeto de Lei C-9 ameaça transformar o Canadá de uma nação que protege a liberdade de consciência em uma que a pune, substituindo a verdade pela moralidade definida pelo Estado e tratando cristãos fiéis como infratores apenas por acreditarem no que os crentes sempre acreditaram.

Minha esposa cresceu nos últimos anos da URSS, onde os crentes adoravam discretamente, cantando hinos em tons baixos, com as cortinas fechadas. As famílias sussurravam suas convicções, e cada ministro era vigiado e frequentemente seguido. Quando ela e sua família conseguiram escapar do comunismo em 1989, ficaram imensamente gratos por chegar à Alemanha, onde podiam adorar livremente, sem interferência do governo. Hoje, essas mesmas nuvens marxistas de tempestade pairam baixas sobre a Europa e a América do Norte.

Alguns de meus parentes fugiram do terror de Nestor Makhno, um homem cujas bandas itinerantes queimavam vilarejos, perseguiam crentes e puniam comunidades cristãs simplesmente por existirem no sudeste da Rússia, enquanto os bolcheviques se preparavam para tomar o poder e transformar todos em escravos do Estado. Eles encontraram refúgio no Canadá, acreditando ter chegado a uma terra onde a fé poderia florescer sem medo.

Quando nossas famílias ouvem a linguagem de “crenças cristãs aceitáveis” e “inaceitáveis” surgindo no Canadá, quando veem o aumento da hostilidade contra a igreja, quando testemunham a queima de templos ser tratada como compreensível — aquilo que muitos canadenses consideram preocupações leves —, eles reconhecem esses sinais como os primeiros avisos do que um dia fugiram.

Precisamos despertar para uma compreensão maior da ameaça que enfrentamos. Não para entrar em pânico ou desespero, mas para observar e orar, como o Senhor nos ordenou. Os cristãos também precisam compreender que as Escrituras já nos instruíram a esperar por épocas como esta, especialmente agora, enquanto o mundo se aproxima do período descrito em Apocalipse 18: o colapso repentino do sistema da besta “em uma hora”, quando os poderes desta era se desmantelam com velocidade chocante. Uma velocidade, de fato, tão intensa que nada resta para aqueles que sofreram a perda de suas obras malignas no colapso, a não ser chorar e lamentar.

Esta não é uma guerra de violência física, mas uma destruição sem precedentes das forças espirituais do mal.

O acampamento dos santos — todos aqueles lavados no sangue do Cordeiro — está atualmente cercado pelas hostes de Satanás, como profetizado em Apocalipse 20:8-9. Enfrentamos um inimigo formidável e não conhecemos os perigos que ainda poderão nos tocar.

À medida que a hostilidade cresce, que a verdade é desprezada e que sistemas de poder buscam exercer controle, a igreja não deve se surpreender. Mas devemos estar espiritualmente vigilantes e ancorados na Palavra. Devemos permanecer firmes na santidade. E devemos preparar nossos corações, nossos lares e nossas comunidades para a possibilidade de que a perseguição aumente antes que a redenção se manifeste plenamente.

O mesmo Deus que libertou Seu povo de impérios, senhores da guerra e regimes é o Deus que caminha com Sua igreja hoje. Ele não mudou, e Suas promessas são firmes. A vitória já pertence a Cristo. Que nossa fé seja igualmente resiliente e inabalável.

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